quinta-feira, 28 de abril de 2011

DAS NOVE MENTIRAS...

... A ÚNICA VERDADE É A SITUAÇÃO DE INVISIBILIDADE DO DITO SEXO FRÁGIL
por Dagma Colomby
 Com direção de Gilson Vargas, texto de Diones Camargo, encenado e coproduzido por  Vanise Carneiro, o texto 9 Mentiras Sobre a Verdade traz ao palco a história de uma dona de casa que, talvez devido à insatisfação com sua vida, fantasia que é protagonista de filmes famosos e passa tal ideia para as pessoas. Em uma reunião para mentirosos compulsivos ela começa a descobrir a linha tênue entre a fantasia e a realidade, seu complexo de Eléctra, sua condição de mulher invisível. O caráter psicológico do texto de Diones Camargo se evidencia através da apresentação de uma personagem com o comportamento compulsivo de alguém que cria um universo paralelo fugindo, assim, de uma existência quase imperceptível para aqueles com os quais a mesma convive. Provavelmente entre as nove ou mais bravatas proferidas por Lara, a única grande verdade seja a situação de invisibilidade que o universo contemporâneo ainda oferece à figura feminina, quase sempre tão impedida de ser reconhecida, valorizada, estimada, afinal ser mulher, ter cérebro, fazer uso do mesmo não é algo muito apreciado por grande parcela de nossa sociedade, que cria uma infinidade de ardis para solapar a autoestima e valoração da figura feminina que ousa se destacar num mundo onde até a gramática é masculina. A situação de circularidade do texto parece ser usada para ressaltar questões fulcrais e norteadoras da sua condição de mentirosa compulsiva.
 No final há a ruptura com a fantasia vivida pela personagem e esta retoma a sua realidade, se impondo ao meio em que vive, dando um basta à tirania da invisibilidade. Fazer uso do cinzeiro, deixar claro que voltou a fumar é a metáfora da rejeição do soutién, é mostrar o peito, é dizer que não está mais invisível, apática, submissa, talvez quieta, esperando o momento certo de agir, mas jamais aceitando o papel de figurante que não dá o direito à voz.
O espetáculo faz uso de diversos recursos sonoros e visuais, os quais, além de tornar os momentos cênicos mais ricos e aprazíveis à plateia (projeções, gravações, entre outros), atuam como facilitadores da compreensão da montagem. A iluminação, concebida por Fernando Ochoa, estabelece uma espécie de costura entre uma cena e outra, fato que ressalta a interpretação responsável de Vanise Carneiro. A atriz brinca com o universo cinematográfico, permeia a plateia de dúvidas sobre o que é ficção e o que é realidade, faz um uso constante de símbolos, trabalha o teatro dentro do teatro atribui significados inteligentes ao figurino, nada do que a mesma usa fica sem um sentido, aguçando assim a imaginação do espectador. É interessante o jogo de interação proposto à plateia, embora paire a dúvida se há realmente um desejo de que esta tome parte do espetáculo pois, ao mesmo tempo que o espectador é instigado a dar a sua participação, há uma velada coibição de que este se manifeste que se revela no desvio do olhar quando não se quer uma resposta, ou seja, só participa quem, através de uma  provocativa e insistente mirada, é convidado a responder alguma questão; talvez tal jogo tenha tornado a atuação um pouco monótona e não convincente em alguns momentos.
Nove mentiras sobre a verdade, apresenta uma linguagem contemporânea, como opção estética um palco quase nu, traz à cena uma atriz madura e um texto rico, com possibilidades de infinitas leituras e significados. Em todo o conjunto da montagem podemos observar uma direção experiente, que, embora tenha feito uma escolha pautada bem mais no textocentrismo do que na fisicalidade, realiza reflexões bastante pertinentes ao modo de vida da mulher moderna, suas inquietações, receios e desejos. É um espetáculo que vale a pena ser assistido, reassistido, pelo seu conteúdo, forma e abordagem escolhidos e utilizados. 

domingo, 17 de abril de 2011

O Naufrágio do Barquinho

No dia 05 de Abril de 2011, o Grupo Timbre de Galo, da cidade de Passo Fundo/RS, trouxe a Pelotas o espetáculo infantil A Viagem de Um Barquinho, livre adaptação do grupo, baseada na obra de Sylvia Orthof. Durante 50 minutos, os espectadores presentes no auditório externo do Colégio Municipal Pelotense puderam acompanhar o desempenho de um dos grupos de teatro com maior número de montagens teatrais circulando pelo interior do Rio Grande do Sul nos últimos anos.

Para aqueles que conhecem o texto original, ficou evidente que a trupe de artistas optou por fazer grandes cortes no enredo da história, retirando alguns personagens que traziam algumas explicações sobre a temática abordada. No entanto, para manter o ritmo e prender a atenção do público, os artistas optaram por costurar as cenas por meio de músicas que explicavam os próximos acontecimentos ou algumas situações que haviam sido excluídas do texto de Sylvia Orthof. Porém, muitos assuntos importantes foram deixados de fora, impossibilitando que certas temáticas pudessem fomentar discussões futuras entre educadores e educandos ali presentes.

Realmente, a direção musical foi o que havia de melhor nesse espetáculo. Como de costume, o Grupo Timbre de Galo tem seu ponto forte na abordagem musical de suas montagens, o que, em muitos locais, tende a prender a atenção do público. Como esses artistas dedicam suas montagens para apresentações nas ruas, a trilha sonora costuma funcionar como um atrativo para atrair o público. Devido ao fato do elenco ter formação musical, todos os membros do grupo intercalavam-se na execução das músicas ao vivo, ora cantando, ora tocando algum dos instrumentos, ou atuando como um dos personagens da história. Nesse espetáculo em questão, a direção musical optou por adaptar trechos do espetáculo em ritmo de músicas típicas do tradicionalismo gaúcho, intercalando com algumas bem conhecidas nesse estado. No entanto, para o público infantil pelotense de nada adiantou, pois a plateia não se identificou, nem tão pouco se interessou pela trilha musical.

Apesar da versatilidade musical dos atores, alguns personagens perdiam a sua força cênica, ao passo que foram adotadas peculiaridades estereotipadas para caracterizá-los, como, por exemplo, a lavadeira negra, a bailarina branca de cabelos lisos, o sol com vestimentas típicas do tradicionalismo gaúcho e etc... Devido aos cortes textuais, o público infantil não conseguia se fixar no enredo, nem no encadeamento entre as cenas, já que as músicas, ao invés de funcionarem como elo de ligação, acabavam por dispersar as crianças da história que estava sendo contada. Além disso, devido aos estereótipos adotados, os atores não conseguiram atribuir caráter de verossimilhança nos personagens, o que, simplesmente, distraía o público infantil mais para o que acontecia ao seu redor na plateia, do que para o que estava sendo apresentado no palco.

Além disso, a concepção de cenário e figurinos também pecou pela utilização de alguns elementos que não funcionaram ou não foram explorados em cena como poderiam ter sido. Embora tenham utilizado um figurino neutro para atores enquanto executavam as músicas, no momento de atribuir identidade aos personagens que seriam interpretados, foram utilizados elementos que salientavam essas características em demasia, atribuindo um tom over à concepção de cada personagem. Outro aspecto importante que um figurinista deve pensar se refere à escolha dos tecidos utilizados para que eles não reflitam ou alterem sua cor de acordo com a iluminação utilizada, se esse não for o objetivo da montagem. Nesse caso, em vários momentos, os tecidos com brilhos acabaram desviando a atenção do público para o figurino, ao invés de perceberem-no como um todo na concepção do personagem. Nessa perspectiva, também saliento que, mesmo utilizando tecidos brancos como cenário como se fossem varais de roupas que a lavadeira estaria estendendo, essas informações não foram exploradas em cena, fazendo com que os tecidos parecessem apenas uma meia dúzia de panos pendurados no palco.

Uma questão importante de ser salientada se refere aos estereótipos que explicitei anteriormente, uma vez que espetáculos infantis além de oferecerem uma oportunidade para as crianças terem contato com uma obra artística são formadores de opinião. Em pleno século vinte e um, ainda vermos personagens como a negra serviçal ou o gaúcho gay vão totalmente de encontro a todas as conquistas sociais das últimas décadas. Não apenas isso, como também, de certa forma acabam por legitimar certas normatizações sociais que muitos grupos sociais lutam para que caiam por terra. Em função disso, acredito que qualquer tipo de adaptação teatral visando o público infantil deva estar muito bem esclarecida sobre a responsabilidade social da sua obra frente a uma população ainda em processo de formação.

Portanto, apesar dos problemas de concepção, a apresentação do espetáculo A Viagem de Um Barquinho pelo Grupo Timbre de Galo saiu com um saúdo positivo para a cidade de Pelotas, uma vez que há uma grande escassez de montagens teatrais voltadas para o público infantil nessa cidade. Ademais, o contato com obras artísticas é imprescindível para a formação de platéias futuras, pois a conquista de um público futuro se torna muito difícil se ele não está habituado a frequentar teatros, sobretudo no mundo contemporâneo onde a velocidade de informações e difusão de outras linguagens competem diretamente com a linguagem teatral.

MSc. Vagner Vargas
DRT – Ator – 6606 – Crítico Teatral.
vagnervarg@yahoo.com.br www.ccetp.blogspot.com

Ópera: Teatro Musical


Durante o I Festival Internacional SESC de Música em Pelotas, o público local teve o prazer de assistir à Ópera Bastien e Bastienne, de Mozart (1756-1791), no dia 10 de fevereiro de 2010, com a Orquestra Unissinos, sob a regência de Evandro Matté e participação de Elisa Machado (soprano), Flavio Leite (tenor) e Carlos Rodriguez (baixo). Apesar do calor típico dos meses de verão, o Teatro Guarany teve suas dependências lotadas, com fila de espera para assistirem esse espetáculo.

Mozart compôs essa obra ainda na sua infância, talvez por esse motivo a temática abordada seja bastante ingênua, apesar do evidente talento que o jovem compositor já demonstrava quando a compôs aos 12 anos, baseada na peça de Jean Jacques Rousseau, “Le Devin Du Village”. Mesmo se tratando de uma ópera, resolvi tecer alguns comentários sobre esse espetáculo aqui nesse canal, uma vez que as óperas se consagraram como uma das opções de espetáculos teatrais, durante muitos séculos na Europa. Posteriormente, a visão fragmentadora ocidental separou as óperas da sua visão como espetáculo teatral, apenas considerando-as como espetáculos musicais. No entanto, apesar de muitas pessoas persistirem nesse equívoco ainda nos dias de hoje, analisar as óperas sob esse ponto de vista, deixaria margem para desconsiderar todo o teatro musical contemporâneo como linguagem teatral.

Nesse sentido, ao assistirmos uma ópera, não devemos fixar nossos olhares apenas ao prazer de escutar harmonias instrumentais fantásticas, capazes de criarem climas e imprimir toda atmosfera que as cenas necessitam, ou apenas na virtuose vocal, resultado de muito trabalho, estudo e disciplina dos cantores. Os espetáculos de ópera contém histórias das mais variadas origens e abordagens temáticas, além de muitos deles representarem importantes características tanto do teatro, quanto da arte em geral que estava sendo pensada e produzida no momento que essas obras foram escritas. Por esse motivo, me sinto confortável para analisar ao espetáculo apresentado no mês de fevereiro em Pelotas, pois, muitas vezes, o público em geral analisa apenas os aspectos musicais, se esquecendo do espetáculo teatral performado naquele momento.

A montagem pelotense surpreendeu a todos no que se refere a possibilidade de óperas serem montadas nessa cidade, de maneira simples e competente como essa foi realizada, sem necessitar de cenários gigantescos e e centenas de pessoas no elenco. Obviamente, que a simplicidade da obra favoreceu esse fato. Porém, observamos que, com empenho e boa vontade, outros espetáculos operísticos poderiam ser montados em Pelotas. Além disso, o que muitos poderiam justificar é que não existe público para uma montagem considerada “erudita”. No entanto, isso seria um contrasenso, tendo em vista a lotação do teatro e a intensa procura de ingressos para esse espetáculo, o qual já estava com a lotação esgotada no dia da apresentação. Se existe demanda de público, por que não dispomos de outras óperas nessa cidade?

Outro argumento que poderia ser levantado pelos incansáveis rabugentos anti-cultura, seria o de que esse tipo de espetáculo agrada apenas a um público com formação e hábito em apreciar obras eruditas. Todavia, será que a população em geral não teria o desejo de assistir a uma ópera ou não ficaria satisfeito ao assistir uma obra dessas, caso tivesse possibilidade? Muitas pessoas se respaldam no seu preconceito social justificando que o público em geral gosta apenas de expressões artísticas de apelo fácil, mero entretenimento que não lhes permitam nenhum tipo de amplitude estética. Contudo, não é esse o tipo de comentário que qualquer pessoa que nunca havia assistido a uma ópera faz, após o término de uma apresentação. Àqueles que duvidam, os convido a pagarem um ingresso para ópera a uma pessoa que nunca teve o prazer de prestigiar um espetáculo desse tipo e depois perguntem-na sobre o que achou.

Apesar da boa iniciativa na montagem dessa obra na cidade e a possibilidade dela ser oferecida à população de maneira gratuita, observo que o rigor na performance musical não foi mantido no que se refere à performance teatral. Os cantores eram bons. Seria muita ingenuidade de alguém pensar que um cantor se atreveria a cantar uma ópera caso não tivesse formação pra isso. No entanto, me pareceu que o tenor estava gripado, ou, por algum motivo, parecia estar muito exausto durante a apresentação, o que não chegou a afetar sua performance, já que, apesar da aparente debilidade, conseguiu conduzir toda sua apresentação com profissionalismo e competência. Em alguns momentos, me pareceu que o diretor solicitou à soprano que desviasse a sua emissão para outros locais do palco, desviando o foco de atenção da personagem, o que fazia com que o som se perdesse por alguns instantes, dada à péssima acústica do teatro Guarany. O barítono, mesmo quando estava falando, podia ser escutado em todo o teatro, o que foi facilitado pela sua disposição cênica frontal durante toda a peça.

A meu ver, a concepção de encenação do espetáculo foi um equívoco, uma vez que, mesmo desejando quebrar com alguns paradigmas das montagens tradicionais de óperas e tentando propor uma abordagem diferenciada, a estética adotada se perdia na incoerência. O cenário adotado não era funcional, nem apresentava uma justificativa de sê-lo ao apresentar tantas cadeiras agrupadas de forma desordenada em cima de algumas mesas sem a exploração dessa informação ou desse signo que estava tentando ser explicitado. Assim, o cenário funcionou em alguns momentos apenas como passarela para um cantor mais baixo ficar um pouco acima dos outros, sem relação com a situação que estava ocorrendo na cena naquele momento. Além disso, alguns elementos de cena, apenas surgiram no início do espetáculo para serem retirados posteriormente, sem organicidade nenhuma com as cenas do espetáculo.

O figurino era incoerente tanto em sua proposta – se é que havia alguma – quanto em sua funcionalidade. Não havia uma identidade visual para o espetáculo, o figurino não condizia com as cenas. Em alguns momentos, pareciam fantasias “alternativas” para blocos de rua no carnaval. A iluminação estava precária, mal afinada, sem uma proposta condizente com as situações ocorridas durante o espetáculo. Ao levantar essas situações não quero dizer que uma ópera não possa ter concepções diferentes das tradicionais, muito pelo contrário, acredito que o mundo atual oferece uma gama de informações e possibilidades que agregariam muitos fatores positivos a quem se dispor a propor novos olhares sobre obras tão pouco exploradas. Porém, para que esses aspectos sejam realmente postivos e adequados, necessitam estar coerentes tanto em sua concepção, quanto na sua execução.

Outro ponto crítico da direção se refere à proposta de interpretações repletas de canastrices, o que ao invés de representar um estilo interpretativo, adquiria um sentido ridículo à caracterização dos personagens, prejudicando a atuação dos cantores como intérpretes naquele momento. Esse tipo de equívoco se atribui à direção do espetáculo, uma vez que o olhar afastado permitiria ao diretor evitar que essas situações comprometessem a verossimelhança das personagens. Quando abordo esse aspeto das atuações não estou negando a possibilidade de atuações farsescas, clownescas, melodramáticas, bufônicas, caricatas e etc... Porém, o que observamos foi apenas canastrice na concepção de direção, o que isenta o elenco dessa responsabilidade.

Portanto, apesar de alguns problemas relacionados à concepção de encenação, a montagem dessa obra de Mozart foi muito válida, já que nos mostrou que, em Pelotas, existe material humano de sobra e com talento suficiente para montarem outras óperas e espetáculos com outras abordagens musicais para os mais diferentes públicos. Considero positiva a iniciativa do SESC em oferecer esse tipo de espetáculo de maneira gratuita à população local e espero que essa tenha sido apenas a primeira de muitas outras óperas levadas aos palcos pelotenses de maneira gratuita para democrtizar o acesso do público a esse tipo de obra.

MSc. Vagner Vargas
DRT – Ator – 6606 – Crítico Teatral.
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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Teatro? Onde? Alguém Ficou Sabendo?


O último mês do ano de 2010 teve uma intensa programação artística na cidade de Pelotas, com diversas apresentações de música, dança e teatro. Ops, teatro? Onde? A mídia divulgou?

No dia 04 de dezembro, esteve em Pelotas o espetáculo Auto da Paixão e da Alegria, com Grupo Timbre de Galo, de Passo Fundo/RS. Infelizmente, o grupo passou despercebido pela mídia local que perdeu a oportunidade de deslocar algum dos seus jornalistas para conhecer as histórias deste grupo que se originou do antigo Viramundos, patrocinado pela Universidade de Passo Fundo. Quando a universidade cortou os investimentos e o fomento em teatro, os artistas tiveram que dar outros rumos as suas carreiras. Para aqueles que os desconhecem, este grupo manteve um intenso trabalho dialogando com as linguagens de circo, teatro de rua, manipulação de bonecos e etc... viajando por todo o estado do Rio Grande do Sul, com um trabalho muito respeitado. Mas, além do respeito e reconhecimento pela crítica, o grupo mantinha um trabalho que era sucesso de público por onde passava.

No entanto, o público pelotense foi pego de surpresa quando viu a estrutura do grupo montada na Praça Cel. Pedro Osório, sem nem saber do que se tratava, nem quem eram aqueles artistas. Esta falha se deve à falta de comunicação dos contratantes, responsáveis pela produção local dos espetáculos e da imprensa local que está mais comprometida ao comportamento provinciano de só divulgar o que vem da TV ou das mídias prontas e massificadas do centro do país.

Além deste espetáculo, no dia 19 de dezembro, o Grupo Stravaganza, de Porto Alegre/RS veio a Pelotas apresentar o espetáculo Sacra Folia, na Praça Cel. Pedro Osório. Alguém ficou sabendo? Mais um trabalho de boa qualidade que passou despercebido pela população pelotense. O Grupo Stravaganza tem um dos trabalhos mais respeitados no Rio Grande do Sul, com diversos prêmios em seu currículo e com uma produção constante. Sucesso de crítica e de público por onde tem passado, infelizmente, os pelotenses ficaram sem saber que estes artistas viriam a sua cidade.

Assisti aos dois espetáculos, em outras oportunidades, fora de Pelotas. São duas montagens que dialogam muito com a linguagem do teatro de rua e com o circo. Os atores de ambas as montagens conseguem imprimir um ritmo rápido e de acordo com a proposta, segurando-o até o final do espetáculo. Em ambos os casos há uma forte identificação popular, se divertindo e se emocionando com as histórias apresentados. Em todo o lugar, quando o público tem a possibilidade de desfrutar de um espetáculo, sempre sai satisfeito.

Neste sentido, critico a falta de divulgação local. Não consigo compreender os objetivos dos projetos culturais dos contratantes que trazem estes espetáculos a Pelotas, já que, em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, as entidades que se destinam a propiciar certas atividades aos seus associados e à população em geral, divulgam e muito todas as suas atividades para atingir cada vez mais a um número maior de indivíduos. Porém, me parece que em Pelotas, os conceitos estão invertidos. Penso que reina a política do não-divulgar, pois já está tudo pago mesmo. Mas, além disso, percebo o total desinteresse da mídia local em divulgar propostas artísticas que não contenham celebridades de capas de revistas em seus elencos. Talvez, porque as pessoas que compõem a mídia local utilizem apenas estas revistas como sua fonte de informação e “cultura”. Quem perde com isso? Toda a população pelotense que deixa de ter acesso às informações e a estas obras artísticas. Como contornar este problema? Com políticas culturais eficientes e com equipe competente gerindo a cultura local, com os trabalhadores da cultura menos alienados e reivindicando os seus direitos.

Espero que este quadro se modifique em 2011.

MSc. Vagner Vargas
DRT – Ator – 6606 -Integrante do Clube dos Comentaristas de Espetáculos Teatrais de Pelotas (CCETP).
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A Estética do Frio Refletida no Sobrado

Em 2010, Pelotas pôde receber, no dia 20 de novembro, o espetáculo “O Sobrado”, do Grupo Cerco, de Porto Alegre/RS, dirigido por Inês Marocco, apresentado no espaço do Grupo Tholl, na região do Porto de Pelotas. A peça foi muito bem adaptada a partir da obra “O Continente”, do escritor gaúcho Érico Veríssimo.

A história se passa durante a Revolução Federalista, ocorrida no Rio Grande do Sul, em meados de 1895. Durante o desenrolar dos fatos, são retratados os conflitos que surgem entre estes indivíduos numa situação de limite. Para quem conhece a obra de Érico Veríssimo, percebeu que a adaptação da linguagem literária para a teatral se deu de forma fiel e precisa. No entanto, acredito que aqueles que desconheçam a obra literária, sentiram-se instigados a procurá-la, tamanha foi a competência do grupo em criar o ambiente em que aqueles indivíduos estavam inseridos e a condição dramática da sua situação sócio-política.

Um dos grandes acertos do grupo foi a concepção de figurinos que retratou com fidelidade a realidade gaúcha daquela época, estando muito de acordo com a proposta de concepção geral do espetáculo. Refiro isso, pois muitas vezes algumas pessoas pensam que figurinos devam ser sinônimos de fantasias, alegorias de carnaval, ou capas de revistas. Muito pelo contrário, figurinos devem ser funcionais e adequados à proposta do espetáculo. Sua beleza está na adequação à concepção estética da obra. Neste caso, o Grupo Cerco acertou com simplicidade e coerência.

Com certeza, o ponto alto da montagem é a direção competente de Inês Marocco. Percebo que esta diretora tem uma mão muito precisa para trabalhar os desenhos cênicos, administrando muito bem os coros. Além disso, os atores estavam coesos e bem nivelados, mostrando que a diretora soube equalizar as atuações para não gerar discrepâncias. As cenas estavam muito bem construídas, com um encadeamento muito bem adaptado, sem perder a linha de raciocínio da obra de origem. Nesta perspectiva, o ritmo do espetáculo me chamou muito atenção, pois não se trata de um espetáculo com o ritmo frenético que outras linguagens contemporâneas costumam bombardear os espectadores.

No caso do Sobrado, o espetáculo tinha um ritmo próprio e, justamente este ritmo, ajudava a construir o ambiente trágico e pesado do contexto histórico em que aqueles indivíduos viviam. A partir deste ritmo, pudemos visualizar um belo exemplo do que seria a estética do frio, tão bem retratada por Vitor Ramil em sua obra. Esta opção de concepção cênica foi arriscada, pois poderia levar o espetáculo a um ritmo arrastado, moroso e chato. Mas, não foi o que presenciamos, pois a diretora acertou em cheio, ao optar por este ritmo mais lento para contar os fatos.

No que se refere aos atores, percebia-se que havia um grande entrosamento e química entre o elenco. Isto é sempre um ponto positivo em qualquer montagem para que o grupo consiga ter total domínio do espetáculo, podendo estar em plena sintonia para contornar rapidamente quaisquer problemas que possam vir a acontecer. Entretanto, penso que faltou um pouco de peso às atuações, uma vez que os personagens estavam numa situação extrema, com uma degradação limite, chegando ao ponto do desespero. O fácil seria transformar isso numa atuação canastrona televisa, ou controlar tanto que a estética do frio poderia passar pela inexpressividade. Porém, tanto a diretora, quanto o elenco, não optaram pelo óbvio, nem pelo fácil. Mas, mesmo assim, os atores não conseguiram atingir a profundidade e o peso que pessoas naquela situação carregam. Seria este fato pela pouca idade do elenco? Talvez, não sei dizer. Acredito que uma obra como esta, talvez necessitasse de um estudo prolongado, um trabalho de construção de personagens mais aprofundado e intenso...

A trilha sonora executada ao vivo trouxe um salto na qualidade do espetáculo. Muito bem executada, com os atores se revezando nos instrumentos. As músicas estavam muito adequadas à proposta e às situações que transcorriam em cena, agregando um toque de intimidade que jogava o espectador pra dentro da cena. Além disso, a iluminação foi muito competente, sabendo adaptar-se às características e recursos disponíveis no local. Refiro isso não apenas nas dimerizações das emissões de luz, mas também, relacionado à palheta cromática utilizada. As cores estavam muito de acordo com a ambientação e os climas propostos, compondo a cena consonantemente com os outros elementos.

Porém, nem tudo foram flores naquela noite. Apesar de haver uma fila imensa, dobrando a quadra com muitas pessoas querendo assistir ao espetáculo, quase lotando o espaço, antes do espetáculo começar, tivemos o desprazer de assistir a uma palhaçada – no pior sentido da expressão. Antecedendo o início da apresentação, uma pessoa que trabalha na prefeitura de Pelotas, sobe ao palco para entregar plaquinhas e troféus para os seus amigos e, inclusive, para si. Como se não bastasse essa baboseira, a pessoa ainda foi às lágrimas ao entregar placas em homenagem aos seus funcionários por terem trabalhado no evento que estavam organizando naquela semana. Ora vejam, as pessoas são pagas com dinheiro público para trabalharem e ainda gastam esse dinheiro para SE homenagearem pelo trabalho que deveriam ter obrigação de cumprir. No entanto, esta não foi a primeira vez, já que eu mesmo já presenciei, em outras duas oportunidades, esta mesma pessoa vir às lágrimas, em público, antes de um espetáculo, para oferecer homenagens a SI e a sua equipe.

Há uma grande inversão de valores nesta situação e, ao mesmo tempo, isto reflete a cara da política cultural para teatro neste município, uma vez que coloca em cargos pagos com dinheiro público pessoas despreparadas, sem formação e vivência artística para administrarem e fomentarem a cultura local. Mas, além disso, o que mais me chocou foi a falta de respeito com os artistas que estavam por se apresentar, pois caso estas pessoas não saibam, a equipe de um espetáculo teatral chega com muita antecedência no local, se prepara, necessita de concentração, aquecimento, aferição dos últimos detalhes. Tudo isso, para que possa estar em cena, na hora marcada. Quando uma pessoa resolve invadir o ambiente cênico para se aparecer, além de profanar o trabalho daqueles profissionais, atrapalha todo o preparo que o elenco teve para entrar em cena na hora certa. Obviamente, que o público presente não se mostrou muito contente com esta intervenção desagradável e não deu muita margem para que a entrega de prêmios se prolongasse, pois os espectadores ali presentes, havia se deslocado de suas residências para assistirem a uma peça de teatro, não para verem aquela situação absurda.

Apesar deste episódio embaraçoso para o município de Pelotas, o Grupo Cerco não se deixou abalar e apresentou o seu espetáculo com toda a garra e respeito que detém para com a arte. Quem pôde estar presente, saiu do teatro com o deleite de ter assistido a um espetáculo de excelente qualidade.

MSc.Vagner Vargas
DRT – Ator – 6606 -Integrante do Clube dos Comentaristas de Espetáculos Teatrais de Pelotas (CCETP).
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Sem Tropeço nos Dedinhos


Apesar da noite fria e chuvosa do dia 09 de outubro de 2010, algumas pessoas foram até o espaço do Grupo Tholl para assistirem ao espetáculo “Tropeço”, da Cia Tato Criação Cênica, de Curitiba/PR. Sutileza, sensibilidade e talento transbordaram através das mãos dos dois atores/manipuladores Dico Ferreira e Katiane Negrão.

Este foi um espetáculo com todos os exemplos de que para se fazer algo belo, não precisamos de grandes ornamentos cênicos. Os atores, apenas com a utilização das suas mãos e poucos elementos de cena conseguiam criar uma atmosfera de lirismo que prendeu e emocionou ao público do início até o final da peça. Não podemos dizer que se tratava de um teatro de manipulação apenas para adultos, pois as crianças presentes também ficaram encantadas com o que viram. Neste sentido, saliento o talento deste grupo, já que prender atenção de adultos em um espetáculo de manipulação que utiliza apenas as mãos, não é nada fácil.

Além disso, os diálogos entre as personagens se davam em uma língua incompreensível, uma espécie de “blablação”, mas as situações, imagens e a relação entre as personagens eram tão intensas que eu duvido que alguém perdeu a compreensão em algum segundo durante o espetáculo. A história trata de situações vividas entre casais, no caso, o casal em questão eram duas senhoras, já idosas, que iam expondo situações do seu dia a dia de maneira que muitos espectadores iam se identificando com os acontecimentos a cada cena. A maestria com que os atores desempenhavam sua função, possibilitava que os seus dedos adquirissem expressões faciais, demonstrassem múltiplos sentimentos e se transformassem em personagem extremamente carismáticas. O trabalho destes atores foi uma aula para aqueles que se dedicam às artes cênicas.

A iluminação do espetáculo era extremamente funcional e adequada à proposta, sabendo utilizar muito bem os recursos que haviam no local e propiciando a criação do clima que o espetáculo exigia. Também não posso deixar de comentar sobre a funcionalidade dos objetos de cena, todos adaptados ao tamanho das personagens e aos acontecimentos da história. Nada estava ali como elemento decorativo, ou fora de proposta apenas para preencher um espaço, tudo compunha aquele ambiente e passava a verossimilhança que o público precisa para gerar identificação. Além destes aspectos, não posso deixar de citar a trilha sonora que era muito bem executada vocalmente pelos atores, ou em alguns momentos com incursões externas muito adequadas.

Porém, me entristeceu o fato de chegar no local e ver que haviam muitos assentos disponíveis, muitas cadeiras vazias e muito espaço que poderia ter sido preenchido por espectadores que, possivelmente, nunca tiveram contato com um espetáculo desta linguagem anteriormente. O espaço do Grupo Tholl é amplo, extremamente adaptável a qualquer tipo de proposta cênica, muito bem equipado e com amplo espaço para receber um grande número de espectadores. Entretanto, não entendo a lógica dos contratantes de espetáculos teatrais que se destinam a vir a Pelotas, pois percebo que, mesmo os espetáculos sendo gratuitos, não encontramos plateias lotadas. Seria por falta de público na cidade de Pelotas?

Duvido. Numa cidade com quase 400 mil habitantes, alguém acha que não existe público para encher a plateia de um teatro? Quem achar que não, eu convido a ir pelas ruas a esmo e sair convidando as pessoas para assistirem a um espetáculo de teatro, duvido que não conseguíssemos lotar uma plateia rapidamente. Além disso, este espetáculo era gratuito, mais um motivo para não compreendermos porque haviam menos de 30 pessoas na plateia. Este fato é ainda mais absurdo quando pensamos que, nesta cidade, existem dois cursos universitários da área de artes cênicas, com quase 200 alunos e um corpo docente especialista na área. Persisto em bater nesta tecla de que, estudantes de artes não aprendem apenas lendo nos livros, precisam ir in loco, assistir, presenciar, compartilhar sobre as mais diversas expressões artísticas também fazem parte do seu aprendizado e de seus professores também, uma vez que precisam deste contato com a produção artística para que não tornem os seus conceitos desatualizados da praxis artística de nosso país.

Mesmo assim, não podemos pensar que apenas os estudantes de artes devam prestigiar aos espetáculos que visitam nossa cidade. O artista não pode ter o pensamento equivocado de que sua arte deva ser produzida apenas para alguns poucos iniciados, ou para apenas ficar no plano das ideias. No caso, sobre o teatro, é mais do que óbvio que o evento teatral só acontece quando temos o artista e o espectador. Mas, não acredito que alguém leve tanto tempo montando um espetáculo para apresentar para poucas pessoas. O que os atores mais querem é que seu trabalho seja visto pelo maior número de pessoas possível, senão não faria sentido fazê-lo.

No que se refere às plateias vazias na cidade de Pelotas, acredito que muitos aspectos estejam relacionados à incompetência das políticas culturais locais, da alienação dos trabalhadores da cultura em mobilizar a sociedade para estes equívocos na gestão cultural, da falta de reivindicação dos seus direitos e suporte para o seu mercado de trabalho. Além deste aspecto, está o fato dos contratantes de espetáculos locais trazerem espetáculos tão belos, como o da Cia Tato Criação Cênica, de Curitiba/PR e não divulgarem este espetáculo nos meios de comunicação locais da mesma forma que fazem quando trazem peças de teatro com elenco televisivo.

Outro aspecto importante e muito determinante é a falta de interesse e compromisso da mídia local com a divulgação de espetáculos que não tenham atores das telenovelas. Talvez isto seja reflexo da própria alienação dos trabalhadores dos meios de comunicação local que utilizam a televisão como sua única fonte de obtenção de algum tipo de referencial estético. Entretanto, cabe aos artistas locais pressionarem à mídia para que ela disponibilize espaço para quem não tem seu trabalho entre as celebridades oriundas de outras linguagens.

Apesar da plateia estar vazia, os que se fizeram presentes puderam desfrutar de um grande momento e de um espetáculo muito delicado. Espero que, em 2011, venham outros espetáculos com a mesma qualidade artística deste grupo. Mas que, nas próximas vezes a população pelotense possa ao menos saber que estes espetáculos estão vindo à cidade para decidirem se querem desligar o aparelho de TV e desfrutar de um programa cultural, possivelmente, pela primeira vez.

MSc.Vagner Vargas
DRT – Ator – 6606 -Integrante do Clube dos Comentaristas de Espetáculos Teatrais de Pelotas (CCETP).
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Os Verdes que Apodreceram Antes de Amadurecer


No dia 18 de agosto de 2010, veio a Pelotas o espetáculo “Os Meninos Verdes de Cora Coralina”, montagem do Grupo Voar de Teatro de Bonecos de Brasíla/DF. Confesso que, quando fiquei sabendo da proposta deste grupo em adaptar os poemas da artista de Goiás para o teatro de bonecos, pensei que teríamos um espetáculo de puro lirismo.

Infelizmente, não foi o que aconteceu. Fazer a adaptação da linguagem poética para a teatral por si só já exige uma grande habilidade. Além disso, qualquer montagem voltada ao público infantil deve ser feita com rigor e cuidado para não banalizar este público. Refiro isso, pois os primeiros equívocos que vimos se relacionaram à transposição dos textos poéticos adaptados para o mundo dos bonecos. Cora Coralina deve ter revirado o seu pó, onde quer que esteja, pois a beleza e sutileza dos seus textos não chegaram nem perto dos bonecos.

No que se refere à proposta do grupo, eles pecam ao não tomarem o devido cuidado com o acabamento dos bonecos, uma vez que, além de se destinarem ao público infantil, não conseguiam ter a expressão que um boneco deve passar. Em alguns momentos, os integrantes do grupo atuavam, como personagens, contracenando com os bonecos. Isto não é um problema, nem causa estranhamento nos espectadores, o que nos surpreendeu foi que o grupo não conseguiu encontrar um intermédio entre as duas linguagens para equilibrá-las em cena e as atuações, tanto dos bonecos, quanto dos atores perdiam a sua força.

Acredito que muitas das minhas críticas a este espetáculo também se devam ao fato de que ele foi apresentado no Teatro Guarany, uma casa de espetáculos muito grande, com um palco enorme para o tamanho dos bonecos. Possivelmente este espetáculo tenha sido criado para ser apresentado em espaços menores. Eu, por exemplo, assisti no fundo da plateia, atrás das crianças e perdi muitas coisas do espetáculo, pois não conseguia enxergar os detalhes dos bonecos. Para um palco como o do Teatro Guarany, os bonecos deveriam ter o triplo do tamanho para que toda a plateia pudesse vê-los em detalhes. Entretanto, esta deveria ser a proposta inicial de um grupo que se propusesse a montar um espetáculo de bonecos para grandes espaços. Porém, acredito que este problema se deva mais a uma falta de percepção do contratante local, com a produção do grupo.

Neste sentido, ainda gostaria de ressaltar que houve pouca divulgação do espetáculo na cidade, a plateia estava quase toda vazia. Isto é inadmissível numa cidade com o número de escolas que possui e a quantidade de estudantes de artes na universidade. Alguns poderiam tentar justificar que, em Pelotas, não existe público. Eu discordo, o que não existe é boa vontade dos contratantes em divulgarem e da mídia local em publicar matérias com espetáculos que não tenham atores de novelas. O Teatro Guarany tem uma capacidade enorme, muitas crianças de diversas escolas poderiam ter sido levadas para assistirem este espetáculo, independentemente das questões técnicas que avaliei anteriormente. Como pensar em políticas públicas para a cultura, numa cidade em que não se incentiva à formação de público para as artes em geral?

MSc.Vagner Vargas
DRT – Ator – 6606 -Integrante do Clube dos Comentaristas de Espetáculos Teatrais de Pelotas (CCETP).
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