sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Teatro? Onde? Alguém Ficou Sabendo?


O último mês do ano de 2010 teve uma intensa programação artística na cidade de Pelotas, com diversas apresentações de música, dança e teatro. Ops, teatro? Onde? A mídia divulgou?

No dia 04 de dezembro, esteve em Pelotas o espetáculo Auto da Paixão e da Alegria, com Grupo Timbre de Galo, de Passo Fundo/RS. Infelizmente, o grupo passou despercebido pela mídia local que perdeu a oportunidade de deslocar algum dos seus jornalistas para conhecer as histórias deste grupo que se originou do antigo Viramundos, patrocinado pela Universidade de Passo Fundo. Quando a universidade cortou os investimentos e o fomento em teatro, os artistas tiveram que dar outros rumos as suas carreiras. Para aqueles que os desconhecem, este grupo manteve um intenso trabalho dialogando com as linguagens de circo, teatro de rua, manipulação de bonecos e etc... viajando por todo o estado do Rio Grande do Sul, com um trabalho muito respeitado. Mas, além do respeito e reconhecimento pela crítica, o grupo mantinha um trabalho que era sucesso de público por onde passava.

No entanto, o público pelotense foi pego de surpresa quando viu a estrutura do grupo montada na Praça Cel. Pedro Osório, sem nem saber do que se tratava, nem quem eram aqueles artistas. Esta falha se deve à falta de comunicação dos contratantes, responsáveis pela produção local dos espetáculos e da imprensa local que está mais comprometida ao comportamento provinciano de só divulgar o que vem da TV ou das mídias prontas e massificadas do centro do país.

Além deste espetáculo, no dia 19 de dezembro, o Grupo Stravaganza, de Porto Alegre/RS veio a Pelotas apresentar o espetáculo Sacra Folia, na Praça Cel. Pedro Osório. Alguém ficou sabendo? Mais um trabalho de boa qualidade que passou despercebido pela população pelotense. O Grupo Stravaganza tem um dos trabalhos mais respeitados no Rio Grande do Sul, com diversos prêmios em seu currículo e com uma produção constante. Sucesso de crítica e de público por onde tem passado, infelizmente, os pelotenses ficaram sem saber que estes artistas viriam a sua cidade.

Assisti aos dois espetáculos, em outras oportunidades, fora de Pelotas. São duas montagens que dialogam muito com a linguagem do teatro de rua e com o circo. Os atores de ambas as montagens conseguem imprimir um ritmo rápido e de acordo com a proposta, segurando-o até o final do espetáculo. Em ambos os casos há uma forte identificação popular, se divertindo e se emocionando com as histórias apresentados. Em todo o lugar, quando o público tem a possibilidade de desfrutar de um espetáculo, sempre sai satisfeito.

Neste sentido, critico a falta de divulgação local. Não consigo compreender os objetivos dos projetos culturais dos contratantes que trazem estes espetáculos a Pelotas, já que, em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, as entidades que se destinam a propiciar certas atividades aos seus associados e à população em geral, divulgam e muito todas as suas atividades para atingir cada vez mais a um número maior de indivíduos. Porém, me parece que em Pelotas, os conceitos estão invertidos. Penso que reina a política do não-divulgar, pois já está tudo pago mesmo. Mas, além disso, percebo o total desinteresse da mídia local em divulgar propostas artísticas que não contenham celebridades de capas de revistas em seus elencos. Talvez, porque as pessoas que compõem a mídia local utilizem apenas estas revistas como sua fonte de informação e “cultura”. Quem perde com isso? Toda a população pelotense que deixa de ter acesso às informações e a estas obras artísticas. Como contornar este problema? Com políticas culturais eficientes e com equipe competente gerindo a cultura local, com os trabalhadores da cultura menos alienados e reivindicando os seus direitos.

Espero que este quadro se modifique em 2011.

MSc. Vagner Vargas
DRT – Ator – 6606 -Integrante do Clube dos Comentaristas de Espetáculos Teatrais de Pelotas (CCETP).
vagnervarg@yahoo.com.br, www.ccetp.blogspot.com

A Estética do Frio Refletida no Sobrado

Em 2010, Pelotas pôde receber, no dia 20 de novembro, o espetáculo “O Sobrado”, do Grupo Cerco, de Porto Alegre/RS, dirigido por Inês Marocco, apresentado no espaço do Grupo Tholl, na região do Porto de Pelotas. A peça foi muito bem adaptada a partir da obra “O Continente”, do escritor gaúcho Érico Veríssimo.

A história se passa durante a Revolução Federalista, ocorrida no Rio Grande do Sul, em meados de 1895. Durante o desenrolar dos fatos, são retratados os conflitos que surgem entre estes indivíduos numa situação de limite. Para quem conhece a obra de Érico Veríssimo, percebeu que a adaptação da linguagem literária para a teatral se deu de forma fiel e precisa. No entanto, acredito que aqueles que desconheçam a obra literária, sentiram-se instigados a procurá-la, tamanha foi a competência do grupo em criar o ambiente em que aqueles indivíduos estavam inseridos e a condição dramática da sua situação sócio-política.

Um dos grandes acertos do grupo foi a concepção de figurinos que retratou com fidelidade a realidade gaúcha daquela época, estando muito de acordo com a proposta de concepção geral do espetáculo. Refiro isso, pois muitas vezes algumas pessoas pensam que figurinos devam ser sinônimos de fantasias, alegorias de carnaval, ou capas de revistas. Muito pelo contrário, figurinos devem ser funcionais e adequados à proposta do espetáculo. Sua beleza está na adequação à concepção estética da obra. Neste caso, o Grupo Cerco acertou com simplicidade e coerência.

Com certeza, o ponto alto da montagem é a direção competente de Inês Marocco. Percebo que esta diretora tem uma mão muito precisa para trabalhar os desenhos cênicos, administrando muito bem os coros. Além disso, os atores estavam coesos e bem nivelados, mostrando que a diretora soube equalizar as atuações para não gerar discrepâncias. As cenas estavam muito bem construídas, com um encadeamento muito bem adaptado, sem perder a linha de raciocínio da obra de origem. Nesta perspectiva, o ritmo do espetáculo me chamou muito atenção, pois não se trata de um espetáculo com o ritmo frenético que outras linguagens contemporâneas costumam bombardear os espectadores.

No caso do Sobrado, o espetáculo tinha um ritmo próprio e, justamente este ritmo, ajudava a construir o ambiente trágico e pesado do contexto histórico em que aqueles indivíduos viviam. A partir deste ritmo, pudemos visualizar um belo exemplo do que seria a estética do frio, tão bem retratada por Vitor Ramil em sua obra. Esta opção de concepção cênica foi arriscada, pois poderia levar o espetáculo a um ritmo arrastado, moroso e chato. Mas, não foi o que presenciamos, pois a diretora acertou em cheio, ao optar por este ritmo mais lento para contar os fatos.

No que se refere aos atores, percebia-se que havia um grande entrosamento e química entre o elenco. Isto é sempre um ponto positivo em qualquer montagem para que o grupo consiga ter total domínio do espetáculo, podendo estar em plena sintonia para contornar rapidamente quaisquer problemas que possam vir a acontecer. Entretanto, penso que faltou um pouco de peso às atuações, uma vez que os personagens estavam numa situação extrema, com uma degradação limite, chegando ao ponto do desespero. O fácil seria transformar isso numa atuação canastrona televisa, ou controlar tanto que a estética do frio poderia passar pela inexpressividade. Porém, tanto a diretora, quanto o elenco, não optaram pelo óbvio, nem pelo fácil. Mas, mesmo assim, os atores não conseguiram atingir a profundidade e o peso que pessoas naquela situação carregam. Seria este fato pela pouca idade do elenco? Talvez, não sei dizer. Acredito que uma obra como esta, talvez necessitasse de um estudo prolongado, um trabalho de construção de personagens mais aprofundado e intenso...

A trilha sonora executada ao vivo trouxe um salto na qualidade do espetáculo. Muito bem executada, com os atores se revezando nos instrumentos. As músicas estavam muito adequadas à proposta e às situações que transcorriam em cena, agregando um toque de intimidade que jogava o espectador pra dentro da cena. Além disso, a iluminação foi muito competente, sabendo adaptar-se às características e recursos disponíveis no local. Refiro isso não apenas nas dimerizações das emissões de luz, mas também, relacionado à palheta cromática utilizada. As cores estavam muito de acordo com a ambientação e os climas propostos, compondo a cena consonantemente com os outros elementos.

Porém, nem tudo foram flores naquela noite. Apesar de haver uma fila imensa, dobrando a quadra com muitas pessoas querendo assistir ao espetáculo, quase lotando o espaço, antes do espetáculo começar, tivemos o desprazer de assistir a uma palhaçada – no pior sentido da expressão. Antecedendo o início da apresentação, uma pessoa que trabalha na prefeitura de Pelotas, sobe ao palco para entregar plaquinhas e troféus para os seus amigos e, inclusive, para si. Como se não bastasse essa baboseira, a pessoa ainda foi às lágrimas ao entregar placas em homenagem aos seus funcionários por terem trabalhado no evento que estavam organizando naquela semana. Ora vejam, as pessoas são pagas com dinheiro público para trabalharem e ainda gastam esse dinheiro para SE homenagearem pelo trabalho que deveriam ter obrigação de cumprir. No entanto, esta não foi a primeira vez, já que eu mesmo já presenciei, em outras duas oportunidades, esta mesma pessoa vir às lágrimas, em público, antes de um espetáculo, para oferecer homenagens a SI e a sua equipe.

Há uma grande inversão de valores nesta situação e, ao mesmo tempo, isto reflete a cara da política cultural para teatro neste município, uma vez que coloca em cargos pagos com dinheiro público pessoas despreparadas, sem formação e vivência artística para administrarem e fomentarem a cultura local. Mas, além disso, o que mais me chocou foi a falta de respeito com os artistas que estavam por se apresentar, pois caso estas pessoas não saibam, a equipe de um espetáculo teatral chega com muita antecedência no local, se prepara, necessita de concentração, aquecimento, aferição dos últimos detalhes. Tudo isso, para que possa estar em cena, na hora marcada. Quando uma pessoa resolve invadir o ambiente cênico para se aparecer, além de profanar o trabalho daqueles profissionais, atrapalha todo o preparo que o elenco teve para entrar em cena na hora certa. Obviamente, que o público presente não se mostrou muito contente com esta intervenção desagradável e não deu muita margem para que a entrega de prêmios se prolongasse, pois os espectadores ali presentes, havia se deslocado de suas residências para assistirem a uma peça de teatro, não para verem aquela situação absurda.

Apesar deste episódio embaraçoso para o município de Pelotas, o Grupo Cerco não se deixou abalar e apresentou o seu espetáculo com toda a garra e respeito que detém para com a arte. Quem pôde estar presente, saiu do teatro com o deleite de ter assistido a um espetáculo de excelente qualidade.

MSc.Vagner Vargas
DRT – Ator – 6606 -Integrante do Clube dos Comentaristas de Espetáculos Teatrais de Pelotas (CCETP).
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Sem Tropeço nos Dedinhos


Apesar da noite fria e chuvosa do dia 09 de outubro de 2010, algumas pessoas foram até o espaço do Grupo Tholl para assistirem ao espetáculo “Tropeço”, da Cia Tato Criação Cênica, de Curitiba/PR. Sutileza, sensibilidade e talento transbordaram através das mãos dos dois atores/manipuladores Dico Ferreira e Katiane Negrão.

Este foi um espetáculo com todos os exemplos de que para se fazer algo belo, não precisamos de grandes ornamentos cênicos. Os atores, apenas com a utilização das suas mãos e poucos elementos de cena conseguiam criar uma atmosfera de lirismo que prendeu e emocionou ao público do início até o final da peça. Não podemos dizer que se tratava de um teatro de manipulação apenas para adultos, pois as crianças presentes também ficaram encantadas com o que viram. Neste sentido, saliento o talento deste grupo, já que prender atenção de adultos em um espetáculo de manipulação que utiliza apenas as mãos, não é nada fácil.

Além disso, os diálogos entre as personagens se davam em uma língua incompreensível, uma espécie de “blablação”, mas as situações, imagens e a relação entre as personagens eram tão intensas que eu duvido que alguém perdeu a compreensão em algum segundo durante o espetáculo. A história trata de situações vividas entre casais, no caso, o casal em questão eram duas senhoras, já idosas, que iam expondo situações do seu dia a dia de maneira que muitos espectadores iam se identificando com os acontecimentos a cada cena. A maestria com que os atores desempenhavam sua função, possibilitava que os seus dedos adquirissem expressões faciais, demonstrassem múltiplos sentimentos e se transformassem em personagem extremamente carismáticas. O trabalho destes atores foi uma aula para aqueles que se dedicam às artes cênicas.

A iluminação do espetáculo era extremamente funcional e adequada à proposta, sabendo utilizar muito bem os recursos que haviam no local e propiciando a criação do clima que o espetáculo exigia. Também não posso deixar de comentar sobre a funcionalidade dos objetos de cena, todos adaptados ao tamanho das personagens e aos acontecimentos da história. Nada estava ali como elemento decorativo, ou fora de proposta apenas para preencher um espaço, tudo compunha aquele ambiente e passava a verossimilhança que o público precisa para gerar identificação. Além destes aspectos, não posso deixar de citar a trilha sonora que era muito bem executada vocalmente pelos atores, ou em alguns momentos com incursões externas muito adequadas.

Porém, me entristeceu o fato de chegar no local e ver que haviam muitos assentos disponíveis, muitas cadeiras vazias e muito espaço que poderia ter sido preenchido por espectadores que, possivelmente, nunca tiveram contato com um espetáculo desta linguagem anteriormente. O espaço do Grupo Tholl é amplo, extremamente adaptável a qualquer tipo de proposta cênica, muito bem equipado e com amplo espaço para receber um grande número de espectadores. Entretanto, não entendo a lógica dos contratantes de espetáculos teatrais que se destinam a vir a Pelotas, pois percebo que, mesmo os espetáculos sendo gratuitos, não encontramos plateias lotadas. Seria por falta de público na cidade de Pelotas?

Duvido. Numa cidade com quase 400 mil habitantes, alguém acha que não existe público para encher a plateia de um teatro? Quem achar que não, eu convido a ir pelas ruas a esmo e sair convidando as pessoas para assistirem a um espetáculo de teatro, duvido que não conseguíssemos lotar uma plateia rapidamente. Além disso, este espetáculo era gratuito, mais um motivo para não compreendermos porque haviam menos de 30 pessoas na plateia. Este fato é ainda mais absurdo quando pensamos que, nesta cidade, existem dois cursos universitários da área de artes cênicas, com quase 200 alunos e um corpo docente especialista na área. Persisto em bater nesta tecla de que, estudantes de artes não aprendem apenas lendo nos livros, precisam ir in loco, assistir, presenciar, compartilhar sobre as mais diversas expressões artísticas também fazem parte do seu aprendizado e de seus professores também, uma vez que precisam deste contato com a produção artística para que não tornem os seus conceitos desatualizados da praxis artística de nosso país.

Mesmo assim, não podemos pensar que apenas os estudantes de artes devam prestigiar aos espetáculos que visitam nossa cidade. O artista não pode ter o pensamento equivocado de que sua arte deva ser produzida apenas para alguns poucos iniciados, ou para apenas ficar no plano das ideias. No caso, sobre o teatro, é mais do que óbvio que o evento teatral só acontece quando temos o artista e o espectador. Mas, não acredito que alguém leve tanto tempo montando um espetáculo para apresentar para poucas pessoas. O que os atores mais querem é que seu trabalho seja visto pelo maior número de pessoas possível, senão não faria sentido fazê-lo.

No que se refere às plateias vazias na cidade de Pelotas, acredito que muitos aspectos estejam relacionados à incompetência das políticas culturais locais, da alienação dos trabalhadores da cultura em mobilizar a sociedade para estes equívocos na gestão cultural, da falta de reivindicação dos seus direitos e suporte para o seu mercado de trabalho. Além deste aspecto, está o fato dos contratantes de espetáculos locais trazerem espetáculos tão belos, como o da Cia Tato Criação Cênica, de Curitiba/PR e não divulgarem este espetáculo nos meios de comunicação locais da mesma forma que fazem quando trazem peças de teatro com elenco televisivo.

Outro aspecto importante e muito determinante é a falta de interesse e compromisso da mídia local com a divulgação de espetáculos que não tenham atores das telenovelas. Talvez isto seja reflexo da própria alienação dos trabalhadores dos meios de comunicação local que utilizam a televisão como sua única fonte de obtenção de algum tipo de referencial estético. Entretanto, cabe aos artistas locais pressionarem à mídia para que ela disponibilize espaço para quem não tem seu trabalho entre as celebridades oriundas de outras linguagens.

Apesar da plateia estar vazia, os que se fizeram presentes puderam desfrutar de um grande momento e de um espetáculo muito delicado. Espero que, em 2011, venham outros espetáculos com a mesma qualidade artística deste grupo. Mas que, nas próximas vezes a população pelotense possa ao menos saber que estes espetáculos estão vindo à cidade para decidirem se querem desligar o aparelho de TV e desfrutar de um programa cultural, possivelmente, pela primeira vez.

MSc.Vagner Vargas
DRT – Ator – 6606 -Integrante do Clube dos Comentaristas de Espetáculos Teatrais de Pelotas (CCETP).
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Os Verdes que Apodreceram Antes de Amadurecer


No dia 18 de agosto de 2010, veio a Pelotas o espetáculo “Os Meninos Verdes de Cora Coralina”, montagem do Grupo Voar de Teatro de Bonecos de Brasíla/DF. Confesso que, quando fiquei sabendo da proposta deste grupo em adaptar os poemas da artista de Goiás para o teatro de bonecos, pensei que teríamos um espetáculo de puro lirismo.

Infelizmente, não foi o que aconteceu. Fazer a adaptação da linguagem poética para a teatral por si só já exige uma grande habilidade. Além disso, qualquer montagem voltada ao público infantil deve ser feita com rigor e cuidado para não banalizar este público. Refiro isso, pois os primeiros equívocos que vimos se relacionaram à transposição dos textos poéticos adaptados para o mundo dos bonecos. Cora Coralina deve ter revirado o seu pó, onde quer que esteja, pois a beleza e sutileza dos seus textos não chegaram nem perto dos bonecos.

No que se refere à proposta do grupo, eles pecam ao não tomarem o devido cuidado com o acabamento dos bonecos, uma vez que, além de se destinarem ao público infantil, não conseguiam ter a expressão que um boneco deve passar. Em alguns momentos, os integrantes do grupo atuavam, como personagens, contracenando com os bonecos. Isto não é um problema, nem causa estranhamento nos espectadores, o que nos surpreendeu foi que o grupo não conseguiu encontrar um intermédio entre as duas linguagens para equilibrá-las em cena e as atuações, tanto dos bonecos, quanto dos atores perdiam a sua força.

Acredito que muitas das minhas críticas a este espetáculo também se devam ao fato de que ele foi apresentado no Teatro Guarany, uma casa de espetáculos muito grande, com um palco enorme para o tamanho dos bonecos. Possivelmente este espetáculo tenha sido criado para ser apresentado em espaços menores. Eu, por exemplo, assisti no fundo da plateia, atrás das crianças e perdi muitas coisas do espetáculo, pois não conseguia enxergar os detalhes dos bonecos. Para um palco como o do Teatro Guarany, os bonecos deveriam ter o triplo do tamanho para que toda a plateia pudesse vê-los em detalhes. Entretanto, esta deveria ser a proposta inicial de um grupo que se propusesse a montar um espetáculo de bonecos para grandes espaços. Porém, acredito que este problema se deva mais a uma falta de percepção do contratante local, com a produção do grupo.

Neste sentido, ainda gostaria de ressaltar que houve pouca divulgação do espetáculo na cidade, a plateia estava quase toda vazia. Isto é inadmissível numa cidade com o número de escolas que possui e a quantidade de estudantes de artes na universidade. Alguns poderiam tentar justificar que, em Pelotas, não existe público. Eu discordo, o que não existe é boa vontade dos contratantes em divulgarem e da mídia local em publicar matérias com espetáculos que não tenham atores de novelas. O Teatro Guarany tem uma capacidade enorme, muitas crianças de diversas escolas poderiam ter sido levadas para assistirem este espetáculo, independentemente das questões técnicas que avaliei anteriormente. Como pensar em políticas públicas para a cultura, numa cidade em que não se incentiva à formação de público para as artes em geral?

MSc.Vagner Vargas
DRT – Ator – 6606 -Integrante do Clube dos Comentaristas de Espetáculos Teatrais de Pelotas (CCETP).
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sábado, 27 de novembro de 2010

Realismo e simbolismo na discussão do preço de um ideal


Para encerrar o 4º Encontro de Teatro de Pelotas, a Secretaria Municipal de Cultura (Secult) trouxe a Pelotas o espetáculo “O Sobrado”, apresentado pelo Grupo Cerco, de Porto Alegre, na noite de 20 de novembro de 2010, no Espaço Tholl. Com texto adaptado a partir de “O Continente”, primeira parte da obra “O Tempo e o Vento”, de Érico Veríssimo, a belíssima e efetiva montagem, dirigida por Inês Alacaraz Marocco, mescla interpretação realista com elementos cênicos simbolistas para marcar, com força e poesia, a tensão gerada em torno da discussão sobre o preço de um ideal.

O pano de fundo é a Revolução Federalista de 1895. Os maragatos, revolucionários defensores da autonomia do Rio Grande do Sul frente ao que consideravam “a tirania do presidente Júlio de Castilhos”, entram em combate com os pica-paus, os republicanos apoiadores do governo. Em meio à guerra civil, o sobrado em que reside a família do chefe político Licurgo Cambará (interpretado por Rodrigo Fiatt), republicano, fica cercado pelos revolucionários. O perigo iminente da morte e a escassez de munição e, sobretudo, de água e comida tornam a atmosfera do casarão pesada e sombria: cenário propenso para intensos conflitos.

À medida que os dias passam e a fome aumenta, se acentuam também os sentimentos. Expectativa e ansiedade - as tropas republicanas virão ou não ao resgate do sobrado? – dão espaço ao desespero, após duas mortes que poderiam ter sido evitadas se Licurgo Cambará - uma delas, a de sua própria filha, que nasce morta pela falta de assistência médica - não teimasse em resistir à invasão dos maragatos e tivesse pedido trégua. O conflito se intensifica quando Maria Valéria Terra (interpretada por Isandria Fermiano) questiona a postura orgulhosa do chefe de família e líder político, Licurgo Cambará, seu cunhado - e por quem ela nutre uma paixão reprimida. Quanto vale um ideal? Valerá mais que uma vida, que duas, três...?

“O sobrado” teve muitos acertos: figurino de acordo com a época, de Rô Cortinhas, cenário minimalista de Élcio Rossini, com apenas os elementos essenciais para fazer entender a história – uma cama com rodinhas tem o seu valor! -, trilha sonora ao vivo - violão, acordeão, xilofone, coro de vozes e percussão ganhavam vida com atores/instrumentistas que se revezavam entre palco e som -, e excelente interpretação dos (muitos deles bem jovens) atores. Também integram o elenco de O Sobrado: Celso Zanini, Elisa Heidrich, Filipe Rossato, Kalisy Cabeda, Luís Franke, Manoela Wunderlich, Marina Kerber, Mirah Laline e Philipe Philippsen.

Apesar de tudo isso, o ponto alto foi mesmo a direção. Inês Marocco soube dar à montagem um colorido especial com as cenas de memória e devaneios da velha Bibiana: efeitos belíssimos eram produzidos com o movimento dos corpos das trizes e suas saias godês, simbolizando ora o vento, ora a passagem do tempo, ou os cabelos esvoaçantes, que lembravam crinas de cavalos ao vento; o tramado de elásticos para mostrar a situação emaranhada e tensa na qual se encontrava o líder Licurgo; ou imensos lençóis brancos que se transformavam em macas ou eram utilizados para marcar momentos de tensão: na cena de maior confronto entre Licurgo e a cunhada Maria Valéria, os atores giravam em alta velocidade, no meio do palco, sendo sujeitados apenas pelo lençol, preso à cintura, segurado por atores/neutros; teatro de sombras para contar, com muito humor, a lenda de Pedro Malazarte, entre tantas outras sacadas criativas da diretora. Fenomenal.

A luz, por outro lado, deixou a desejar. Possivelmente por limitação técnica - especulo eu -, o caso é que a iluminação de Cláudia de Bem deixou vários atores mal. A velha Bibiana, balançando-se em sua cadeira enquanto agoniza a espera e a saudade, por exemplo, muito bem personificada pela atriz pelotense Rita Maurício, ficou muitas vezes no escuro. Uma pena. Outro detalhe que poderia ser repensado é a primeira entrada de Florêncio Terra, pai de Maria Valéria e Alice. A movimentação e voz criadas para personificar o idoso contrastam com o aspecto físico do jovem ator, Anildo Michelotto, sem maquilagem para envelhecê-lo.

Mas estes foram apenas alguns detalhes que em nada diminuíram a grandeza do espetáculo. Não é por acaso que a peça recebeu, em 2009, o Prêmio Açorianos de Teatro por melhor direção, melhor ator coadjuvante (Martina Fröhlich, por Alice Cambará) e melhor dramaturgia (Celso Zanini, Elisa Heidrich, Isandria Fermiano, Marina Kerber, Mirah Laline e Rodrigo Fiatt) e ainda o 4º Prêmio Braskem em Cena, de Melhor Espetáculo pelo Júri Oficial e Popular. Um belíssimo trabalho. Mais uma mostra de que, com comprometimento e empenho, se produz teatro de excelente qualidade e é possível contar história com lirismo e prazer para o espectador. O Grupo Cerco está de parabéns.

Joice Lima – DRT atriz 013051 (Sated/SP)
Acadêmica de Teatro (Licenciatura) – UFPel
Integrante do CCETP

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Sensibilidade sem tropeços


Àqueles que foram ao espaço do Grupo Tholl no sábado 9 de outubro, a noite foi daquelas para ficar na memória. Mais um presente do SESC, com seu Palco Giratório, que tem levado a todo o Estado diversos espetáculos de qualidade. Um grupo de pouco mais de vinte pessoas – apenas... uma lástima! Receio que houve pouca divulgação –, a maioria relacionada às artes cênicas, teve o privilégio de assistir uma montagem de linguagem diferenciada - ao menos para mim, foi a primeira vez -, um trabalho surpreendente, encantador, verdadeiramente especial. O espetáculo apresentado pela companhia Tato Criação Cênica, de Curitiba/PR, mostrava momentos cotidianos das duas senhoras da “melhor idade”: seus laços de amizade, desavenças, o prazer na irritação mútua - própria daqueles que adquiriram certo grau de intimidade -, a reconciliação e também a aprofunda afeição que sentiam uma pela outra. Situações corriqueiras, conhecidas de todos nós. O que havia, então, de tão extraordinário? A começar pela proposta de encenação: as vovós ganhavam vida apenas com as mãos e antebraços dos atores!

Os punhos fechados, cobertos por figurinos delicados, minuciosamente confeccionados – camisolas, toquinhas, xales de tricô – se transformavam no corpo das idosas, enquanto a outra mão desempenhava sua verdadeira função (de “mão”) e, por incrível que possa parecer, já que o tamanho do membro real, em comparação ao resto do corpo fictício era completamente desproporcional, não chamava o foco da ação para si e, portanto, não rompia a magia da encenação. Magia. Esta é, com certeza, a palavra mais apropriada para tratar de um espetáculo que envolve e leva o espectador para outro mundo, o mundo fantasioso das vovós, encenado em pouco mais de um metro de espaço – praticamente toda a peça era feita sobre uma pequena mesa, que servia de cenário: a casa das velhinhas.

Os atores não pronunciavam nenhuma palavra audível, apenas onomatopeias e algum eventual “tim-tim” para um brinde. Os atores Katiane Negrão e Dico Ferreira estavam em perfeita sintonia. Vestindo roupas pretas e um chapéu que cobria parcialmente seus rostos, “desapareciam de cena”, deixando o “espaço livre” para as idosas protagonistas. Seus movimentos ágeis – eu tentei fazer, em casa, e é dificílimo! - e precisos, não faltava nem sobrava nada, nos faziam mergulhar na história que era contada e não deixar de acreditar, por um só momento, que tínhamos duas senhoras diante de nós. Mesmo se tratando de situações corriqueiras, tantas vezes vistas em filmes, novelas ou na vida real, a maneira diferenciada, tão bem executada e a perfeita mescla de momentos cômicos e dramáticos, davam ao espetáculo um caráter de novidade, envolviam e emocionavam a plateia.

O clima mágico é instaurado já no início, quando uma das avós entra em cena, ao som da belíssima voz de Katiane Negrão, e vai acendendo, aos poucos as velas que serão a iluminação de todo o espetáculo. Um ritual que nos insere no mundo mágico das vovós – e, logo, ganha duplo significado, ao ser revelado, no final da peça, que uma das avós havia morrido e o que presenciamos, tão vivamente, foram as memórias da outra avó, que sofre a ausência e vela a companheira. A semiologia era, de fato, uma característica forte no trabalho: tanto a luz de velas quanto os acessórios utilizados em cena (flores, baú, porta-retrato), adquiriam duplo significado, no final da peça, que culminava com o velório de uma das vovós: o baú “virava” o caixão, as flores do início eram as flores colocadas sobre o caixão, etc.

Na conversa, após a peça, os atores contaram que o espetáculo começou há seis anos, como um esquete de dez minutos, para passar chapéu em bares, “já que só precisávamos de uma mochila para levar tudo o que era necessário”, contou Katiane. Não havia figurino, apenas paninhos enrolavam as mãos. “Um dia roubaram a mochila e fomos obrigados a refazer tudo. Então fizemos melhor, mais detalhado”. Não dizem que “há males que vem para o bem”? O trabalho foi crescendo e sendo lapidado, aos poucos, durante as apresentações, até chegar a como está hoje, irretocável, na minha opinião.

Um trabalho excepcional, que conquista pela simplicidade, beleza e sensibilidade. Para nós, atores e/ou estudantes de Teatro, fica a grande lição: é possível fazer teatro de qualidade sem termos, necessariamente, que depender de nossos corpos inteiros, de nossas feições faciais e da verbalização de palavras.

Os pouco mais de vinte agraciados, daquela noite, saíram do espaço do Tholl chorosos, mas, acredito eu, mais leves e felizes. Foi uma bela noite.

Joice Lima – DRT atriz 013051 (Sated/SP)
Acadêmica de Teatro (Licenciatura) – UFPel
Integrante do CCETP

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Dias nem tão felizes para Bob


Na segunda semana de setembro, um grupo com cerca de 30 acadêmicos – eu entre eles - dos cursos de Teatro e Dança Licenciatura da UFPel fretou um ônibus, sob coordenação da professora Marina Oliveira. Destino: Porto Alegre em Cena, na capital gaúcha. A viagem rendeu. Em dois dias, vimos três espetáculos. Na noite de sábado, dia 11, tivemos a rara oportunidade de assistir uma peça de um autor consagrado mundialmente, dirigida por um dos maiores ícones da direção teatral do século XX e da atualidade. O espetáculo apresentado para um Theatro São Pedro lotado foi um pot pourri de nacionalidades: texto Happy Days do irlandês Samuel Beckett, dirigido pelo norte-americano Bob Wilson, com uma produção italiana, interpretado em francês pelos italianos Adriana Asti e Yann de Graval, com legendas em português. Experiência única. Podia-se dizer que tinha tudo para ser um espetáculo memorável e, no entanto, foi aborrecido. Chato mesmo.

Primeiro ato: Uma mulher, Winnie, está “enterrada” até a cintura e fala sem parar, com bom-humor e um otimismo incansável, apoiando-se, como em uma muleta, em objetos do cotidiano que traz em uma sacola. A linguagem figurativa abre espaço para infinitas possibilidades de interpretação – e de encenação! Winnie é acompanhada pelo marido Willie, que pouco se manifesta – nesta montagem, ele praticamente não aparece.

Segundo ato: a imobilidade (impotência?) da protagonista, a mesma mulher, é exacerbada: Winnie está enterrada até o pescoço e se esforça para manter o entusiasmo pela vida. O enredo, em si, é intrigante. Poderia ter inquietado a plateia de maneira positiva. Mas não funcionou.

Foi a primeira vez que assisti uma peça com legendas – colocadas acima do palco - e, embora a minha posição, em um camarote central, facilitasse a leitura dos subtítulos, em alguns momentos a iluminação tênue a impossibilitava – vários colegas, sentados nas primeiras filas da plateia, queixaram-se de torcicolo e teve quem só tenha descoberto que havia legendas durante o intervalo.

O cenário proposto por Wilson é um imenso vulcão negro, belo, impactante - ainda que o impacto que causa no primeiro momento se esvaneça após um quarto de hora. O vulcão negro contrasta com a pele alva da atriz protagonista. No alto do vulcão, a Winnie de Adriana Asti ganha força. É de dar inveja a memória desta mulher de 77 anos, que foi casada com o diretor de cinema Bernardo Bertolucci. A personagem fala, praticamente sem parar, durante os 90 minutos da peça. É quase um monólogo. Mas, apesar da energia e excelente performance da triz, apesar da luz, vibrante em diversos momentos, e dos efeitos sonoros, estrondosos, Wilson não consegue impedir o avanço do sono a quem está do outro lado da ribalta.

“Mas era Beckett!”, argumentou, na saída do São Pedro, uma de nossas professoras – várias estavam lá. Não entendi bem se ela quis dizer que por ser Beckett já se sabia de antemão que seria enfadonho, ou se não se podia considerar enfadonho por se tratar de Beckett. Sinto muito. Na minha opinião, foi entediante, sim. Não importa se era Beckett ou se era Bob Wilson. Talvez algumas pessoas tenham, genuinamente, gostado da apresentação. Eu falo por mim. Não vou fingir que gostei do espetáculo somente porque levava a assinatura de famosos. Ainda que fosse teatro do absurdo, ainda que fosse de cunho existencialista, ainda que tratasse da “imolibilidade humana”, não acho que justifique um trabalho maçante. Sinceramente, eu tive a impressão de que a maioria das pessoas achou o espetáculo chato – assim que terminou a peça, as palmas começaram tímidas, inseguras, mas logo foram tomando força, até chegarem a um aplauso efusivo, com praticamente todos de pé - o que deveria, segundo a convenção teatral no Brasil, ser uma mostra de forte apreciação da peça - inclusive com direito a vários “uhus”. Tudo falso, na minha opinião. É como se, pelo fato de se tratar de um texto de Beckett com direção de Bob Wilson, fosse embaraçoso não gostar. Uns foram no embalo de outros e todos fingiram gostar. Eu poderia estar tremendamente enganada, mas todas as com as quais conversei a respeito, mais tarde, confirmaram as minhas suspeitas. Que bobagem...

Eu parto de duas premissas. Primeiro: o mito não pode ser maior que o artista. Não acho que ninguém tenha a obrigação de gostar de um trabalho só pela assinatura que leva nem, por outro lado, artista algum deve sentir-se na obrigação de atender as expectativas de seu público. No caso de Bob Wilson, fez-se a fama de diretor irreverente, ousado, transgressor, inovador, então se espera que seus trabalhos surpreendam sempre. Um peso terrível nos ombros do diretor norte-americano que, aliás, foi bastante fiel à proposta de encenação do autor – em maio deste ano assisti uma releitura do mesmo, “Dentrofora”, pelo grupo portoalegrense Incomodete, com os atores Nelson Diniz e Liane Venturella, dirigidos por Ramiro Fensterseifer.

A apresentação, de 45 minutos, que integrou a edição deste ano do Palco Giratório do SESC, foi, de longe, mais interessante que esta, proposta por Bob Wilson- Talvez o problema esteja no próprio texto de Beckett, que originalmente sugere a personagem imóvel em tempo integral, como recurso – talvez – para nos fazer refletir sobre a mesmice de nossas vidas. Não há dúvidas de que é um enorme desafio conseguir manter o interesse do espectador quando o foco está em uma única atriz que só se movimenta da cintura para cima – e logo, somente o pescoço e a cabeça -, sobretudo em um espaço das proporções do São Pedro, em que a performance do ator/atriz fica desvalorizada para aqueles que não estão sentados perto do palco. Bob, lamentavelmente, não foi bem sucedido nesta tentativa.

Por outro lado - esta é a segunda premissa -, não acredito em um teatro tedioso. Ainda que muitos profissionais defendam que é preciso causar inquietação na plateia, não se pode confundir inquietação com tédio. É possível encontrar outros meios de levar o espectador a pensar em seus limites e limitações, impostas ou voluntárias, sem fazê-lo passar por uma tortura teatral. Acredito em um teatro vivo, dinâmico, que toca, emociona e, sim, faz pensar. Mas sem colocar o espectador pra dormir. Sem fazê-lo desejar que o espetáculo acabe de uma vez.

Joice Lima – DRT atriz 013051 (Sated/SP)
Acadêmica de Teatro (Licenciatura) - UFPel
Integrante do CCETP